O Castelo esquecido

By O Rafeiro de Cauda Pelada
Nem só de iluminação vive o castelo...

Nem só de iluminação vive o castelo...

Da janela do meu quarto olho o castelo de Palmela. Esta é a mesma imagem que após qualquer viagem, no regresso a casa, procuro insistentemente no horizonte. Não o faço porque não goste de viajar ou porque a viagem tenha sido má… Esta é a busca simbólica do conforto que só no nosso lar encontramos. O castelo de Palmela lá no alto anuncia-me ainda à distância que o meu aconhego fica já ali…

Este monumento histórico que tanto me enternece merecia, no entanto, melhor trato. Apesar de estar a um passo de distância de todos aqueles que habitam Palmela, pergunto-me: porque não passeiam os locais neste espaço de eleição?

Não quero fazer neste post uma resenha histórica do magnífico monumento que olha a vila sobranceiro. Quero perguntar a todos os palmelões há quanto tempo não visitam o Castelo de Palmela? Há quanto tempo não fazem um pequeno passeio, sozinhos ou acompanhados, até ao topo da vila e contemplam a beleza da paisagem que nos rodeia entre os vales do Tejo e Sado e o esplendor da Arrábida?

O espaço deste enorme património histórico é fantástico para que nos deixemos levar pelas asas dos nossos pensamentos quando estamos isolados, mas é também um local ideal para passear em família e descobrir em cada visita algo novo.

Julgo que este esquecimento colectivo da população de Palmela do seu bem mais emblemático contribui para algum do estado de abandono em que o nosso Castelo se encontra. Talvez seja uma surpresa para muitos de vós, mas sabiam que a visita ao alto da torre de menagem não é permitida há praticamente três anos? É verdade, a falta de manutenção do nosso património não assegura as condições de segurança para que os visitantes possam ascender ao ponto mais alto de Palmela!

Mas, os sinais de falta de conservação não se ficam por aqui… Em toda a muralha e paredes da fortificação é visível uma abundante flora, como se de um campo cultivado se tratasse. Esta imagem contrasta com a que conheço de outros monumentos europeus em que as pedras são limpas dos musgos que as habitam.

A área frente à muralha exterior e frente à Esplanada continua como sempre a conheci desde há trinta anos a esta parte, toda ela em roço…. Um espaço que acumula resíduos e que não possui as adequadas características para quem deseja parquear o carro para uma visita ao Castelo. Então e o que dizer da “piscina” que funciona como um aterro?

Enquadrado numa área geográfica em que a actividade turística pode ser uma alternativa à actividade industrial de multinacionais temporárias, estranho que as autoridades envolvidas não se preocupem com a valorização do património cultural que pode gerar riqueza através das receitas provenientes do turismo.

Apelo aos populares de Palmela que visitem o castelo e protestem contra a destruição silenciosa do nosso património! Reclamem a reabilitação do Castelo e da sua área envolvente!

RCP

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3 Respostas para “O Castelo esquecido”

  1. fc Diz:

    Caro “Cão Rafeiro” de Palmela
    Pois é, esse é o estado a que os nossos autarcas deixaram chegar o castelo e a esplanada do castelo então e mais abaixo os sanitários (?) publicos da esplanada que são um autentico atentado á saude publica uma autentica vergonha só visto e mito mais há por ai .
    Vou estando atento.

  2. AM Diz:

    Pois é há muito mais.
    Eu fiz a minha parte durante um nao e não sou Palmelão.
    Caro Cão rafeiro envio um poema meu que penso ir ao encontro daquilo que diz:
    Aí Palmela!
    Estou a verte da janela.
    Triste.
    Nua.
    Como menina de rua.
    Pobre.
    Que um dia já foi nobre.
    Vejo nas tuas nascentes lágrimas.
    Que choram pelo Pai que perdeu.
    Que sempre tudo lhe deu.
    Vejo tuas vielas como rugas.
    Nuas, cruas, sem vida.
    Quando venho sobre o Tejo.
    E mal ao longe te vejo.
    Apetece-me dar-te um beijo.
    Dizer que te vou pintar.
    Cobrir teu corpo com o mais belo vestido.
    És como uma adolescente que o padrasto não deixa ir ao baile.
    Quero tirar-te esse xaile.
    Pintar-te, pôr-te bela.
    P´ra quando vier à janela.
    Verte sorrir lá do alto.
    Como minha Cinderela.

    AM

  3. Pato Diz:

    Um aviso a todos os palmelões… já viram as atrocidades que vão fazer ao Cine-Teatro São João? Entrem no São João e vejam os desenhos na entrada. Simplesmente aberrante. Só para terem uma ideia… em nome das acessibilidades vão construir uma estrutura metálica com escadas exteriores virado para o Largo São João. E mais não digo.. vão até lá e vejam.

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