Féta!

Setembro 4, 2009 por O cão do Balholhas

 Vindimas

Ora aqui está, começada na passada quarta-feira, a festa mai linda, mai bonita e mai importante de todo Portugal. E arredores, claro está.

Queria fazer um acompanhamento mais frequente e continuado da edição deste ano das Festas Das Vindimas, mas não vai dar; agora há um bocadinho, falemos da festa.

Quarta-feira estava morna; a Rita dos sapatos vermelhos tinha assistência, mas não estava cheio. Eu meço o sucesso dos espectáculos pela espessura de pessoas no meio da rua entre o S. João e o Cinema; na quarta-feira circulava-se bem, por isso estava assim-assim.

Gostei da malta do Jazz que estava no palco da CCA; as covers que tocaram tinham uma roupagem cool adequada para acompanhar com uma conversa e um moscatel.

Ontem os Deolinda já deram outra cor à festa; o IEPESJEOC (Índice Espessura de Pessoas Entre o S. João e o Cinema) já estava de acordo com os valores nominais destes dias. Com aquela vozinha delicada, entre cantigas e estórias, a Maria Bacalhau animou a malta.

 Provas deste ano: poucas. Só provei o moscatel roxo do Mário Lobo. Gostei do moscatel e das fotografias com uma jovem (com aspecto muito saudável) que aparece nas garrafas dele.

Andei também a provar uns vinhos tintos, uns três ou quatro. Do que me passou pelo estreito até agora, destaco o JP Private Selection, cor de rubi, encorpado e muito bom. Espero meter o nariz em mais copos de tintol.

Ontem, para evitar chatices, e já que jantei no Pérola da Serra, meti uma amiga minha (com morada no centro de Palmela) ao volante do Balholhasmobile, para passarmos pelo “road-block” da GNR no chafariz. Como resposta ao “ah e tal, o carro de trás é duns amigos, eu tenho garagem, eles podem passar”, ouvi muito divertido um agente dizer “minha senhora, nem imagina a quantidade de gente que por aqui passa que é de Palmela e que tem garagem”….

 Juventude palmeloa, este ano na festa andem sempre de cueca lavada e sapato engraxado! Lembrem-se que estamos em período eleitoral e que além de privarem com os palmelões apoiantes dos diversos partidos, poderão ter de enfrentar um ou mais candidatos à procura de um passou-bem ou beijinho! Eu ando sempre com o meu gel anti Gripe A no bolso!

Nós somos o que vivemos.

Junho 29, 2009 por O cão do Balholhas

Hoje de manhã estive no funeral do Facas. Ou melhor, fui ao funeral do Facas; isto sou eu a combater a ideia geral de que quando vamos ao funeral de alguém é para nos despedirmos dele, o que me parece naturalmente uma estupidez.

 

Eu conheci o Facas, Luís Pedro de seu nome, nos meus tempos de estudante universitário e tuno; não fazíamos parte da mesma escola, e muito menos da mesma tuna; o destino juntou-nos quando um amigo comum quis fazer uma estudantina em Setúbal (uma espécie de tuna all stars de Setúbal) e, ao mesmo tempo eu catrapiscava uma rapariga da Universidade Moderna, sua colega.

 

Cheguei ao velório trajado, por acordo comum de quem foi e é tuno; muita gente, novos e velhos, mas poucos tunos trajados; confesso que não estava muito à vontade, sentia-me mesmo desconfortável a regressar ao meu eu de há quinze anos atrás. Conhecia pouca gente e sentia muitos olhos em cima de mim. No entanto, depois de abraçar a mulher do Facas e de reconhecer uma caras conhecidas que não via há mais de dez anos, passei gradualmente do estado de envergonhado ao estado de revivalista.

 

O Facas é uma daquelas pessoas que nos filmes é definida como “larger than life”. Toda a gente o conhecia, grande e com uma voz grossa. Eu defino-o com dois adjectivos: feio (“feio não, mal encavado”, como ele diria) e cortês. Nunca o vi perder a compostura ou a cabeça com nada; qualquer situação, por mais obtusa que fosse, era arrematada com comentário certeiro, às vezes mais castiço, às vezes mais irónico, aliviando ambientes pesados, ou dando graça a pormenores que passariam despercebidos. O seu “então não se bebe nada por aqui?” era famoso.

 

Gostei muito de rever todas as pessoas, e de circular no meio delas, procurando reconhecê-las, perceber que algumas não me conheciam nem eu a elas, e ver quem faltou. Muita gente que não esteve foi recordada, outros estavam, mais gordos, mais grisalhos, elas bonitas ou mais estragadas. Não ouvi muita daquela conversa de circunstância “era amigo do seu amigo”, “Só nos juntamos para as tristezas, nunca para as alegrias”; toda a gente parecia saber o que estava ali a fazer, e sentia que era importante estar ali, não para se despedir do Facas, mas para celebrá-lo e recordá-lo, na sua vida e nas suas estórias.

 

O Facas era um homem de estórias. Sabia contá-las e vivê-las. Toda a gente sabe estórias do Facas e toda a gente tem estórias com o Facas, muitas. Lembro-me de ir a uma farmácia com ele comprar vaselina (que íamos oferecer como prenda a um aniversariante) e do ar castiço com que ele, depois do farmacêutico perguntar se a queríamos líquida ou sólida, se vira para mim e diz: “tu é que sabes o que te custa menos”. Ou num restaurante chinês, quando o empregado lhe pergunta se ele quer a sangria com Martini ele replica “ó amigo, faça como se a sangria fosse para si”. Ou dos comentários sobre os nossos dotes musicais; ele dizia sempre que eu tinha voz de cantora de cabaret dos anos vinte.

 

O funeral começou tarde, mas ninguém deu pelo atraso. Muitos abraços e beijos foram dados, muitas estórias, com e sem ele foram contadas, muitas vidas foram recontadas desde os últimos dez, quinze anos. O Facas aparecia na conversa sempre como participante, nunca como defunto. As causas da sua morte, apesar de explicadas, foram unanimemente aceites, como se fosse uma fatalidade, algo que tinha que acontecer. Não ouvi ninguém perguntar se se poderia ter feito mais, ou diferente. Não vi ninguém revoltado com a forma violenta e prematura de morte que o levou. Não consigo explicar isto, era como se ele andasse no meio de nós, com aquele sorriso de “boca linda” que tinha.

 

Além de bom vivant, o Facas conhecia a tradição académica. Sabia os preceitos, as tradições e, muito mais importante, o que se tocava nas tunas. Era um músico multifacetado, com bom ouvido e pé ligeiro. Era um prazer tocar com ele, porque por mais que se aldrabassem as músicas, improvisasse (lembro-me de um louco ensaio/jam session na casinha que albergava a Tuna da Moderna, antes das obras no edifício principal), ele apanhava tudo, seguia atrás de quem desse o tom ou puxasse uma desgarrada. Independentemente do vinho tinto que bebia (“ó minha senhora, branco é lá vinho?”) era a base, instrumental ou melódica, sempre que necessário. Lembro-me da actuação da estudantina na semana académica de Setúbal de 1997. Lembro-me das Festas das Vindimas desse mesmo ano, onde se preparou uma marcha de Palmela para tuna, juntámos toda a gente num ensaio regado a garrafinhas pequeninas de Moscatel e a Teresa Papa cantou connosco no largo S. João. Estar com o Facas não era só sinónimo de copos e boa disposição, era tirar prazer e satisfação de tocarmos juntos.

 

Durante a cerimónia , não vi muita gente a chorar. Alguns choros abafados quando o caixão desceu à terra, mas o que mais havia era gente com cara determinada, olhos vermelhos, como se soubesse que tinha de estar ali, à espera. Acompanhando. Foi reconfortante chegar ao pé da Betty, e recordarmos com um sorriso uma viagem de carro que tínhamos feito os três, sem palavras vazias de circunstância; foi talvez o momento mais marcante para mim de toda a cerimónia. Quando saímos do cemitério, entrámos no primeiro café, pedimos uns jarros de vinho tinto, carne de porco frita e estivemos ali, a brindar e a comer, recordando estórias, rindo muito. Celebrámos, recordámos, revivemos.

 

Conheci o Facas numa das fases da minha vida que mais apreciei, que mais vivi intensamente. Éramos novos, confiantes, bem-humorados e vivemos momentos extraordinários. Juntos bebemos (muitos) copos, e discorremos sobre a vida, ou assuntos triviais (“sabes qual é a diferença entre estrume e churume?”). Não fui seu amigo íntimo, mas essa era uma das suas principais qualidades; as pessoas gravitavam à sua volta, atraídas pela sua bonomia, pela sua boa onda. Nada, nenhuma das suas memórias se desvanece com o seu desaparecimento; são estórias para contar à minha filha, quando lhe vir nos olhos o brilho que eu tinha nos meus nessa altura da vida. Mas quem partiu, deixa nos corações de quem fica mais do que o vazio das estórias. O Facas vai fazer-nos muita falta.

Festa do Queijo, Pão e Vinho

Abril 6, 2009 por O Rafeiro de Cauda Pelada
Pois é... do meu leite também se faz o queijo!

Pois é... do meu leite também se faz o queijo!

Queijo, pão e vinho

Cão que é cão fareja à distância a boa da iguaria!…

Assim aconteceu, no passado sábado tive uma vez mais a oportunidade de me deliciar com as iguarias da região na Festa do Queijo, Pão e Vinho. Esta festa comemorou o seu 14º Aniversário e se a memória não me atraiçoa terei participado pela 12ª vez nesta celebração que todos os anos me parece ter mais visitantes.

Apesar das críticas ainda presentes das gentes da Quinta do Anjo à deslocalização desta festa do centro da sua terra para S. Gonçalo, deve-se dar a mão à palmatória que o espaço escolhido foi adaptado para se tornar num local aprazível para a realização do evento.

O ambiente no sábado era de festa e naquele espaço todos esqueceram por momentos a crise, pois o queijo era de qualidade ( e a a pinga também…)

Todos os anos divulgo o evento junto de amigos e colegas de trabalho, assim ajudo à minha maneira a promoção desta região e porque acredito que é efectivamente um acontecimento que merece o destaque pela riqueza de sensações que nos proporciona.

Deixo-vos dois conselhos:

1) Divulguem todos vós na primeira pessoa estas iniciativas que servem para promover a nossa região.
2) Divulguem a qualidade dos nossos produtos oferecendo-os a alguém que não os conhece. Assim, estão a promover a nossa região e a estimular a economia local.

Até à próxima!

RCP

O Castelo esquecido

Fevereiro 7, 2009 por O Rafeiro de Cauda Pelada
Nem só de iluminação vive o castelo...

Nem só de iluminação vive o castelo...

Da janela do meu quarto olho o castelo de Palmela. Esta é a mesma imagem que após qualquer viagem, no regresso a casa, procuro insistentemente no horizonte. Não o faço porque não goste de viajar ou porque a viagem tenha sido má… Esta é a busca simbólica do conforto que só no nosso lar encontramos. O castelo de Palmela lá no alto anuncia-me ainda à distância que o meu aconhego fica já ali…

Este monumento histórico que tanto me enternece merecia, no entanto, melhor trato. Apesar de estar a um passo de distância de todos aqueles que habitam Palmela, pergunto-me: porque não passeiam os locais neste espaço de eleição?

Não quero fazer neste post uma resenha histórica do magnífico monumento que olha a vila sobranceiro. Quero perguntar a todos os palmelões há quanto tempo não visitam o Castelo de Palmela? Há quanto tempo não fazem um pequeno passeio, sozinhos ou acompanhados, até ao topo da vila e contemplam a beleza da paisagem que nos rodeia entre os vales do Tejo e Sado e o esplendor da Arrábida?

O espaço deste enorme património histórico é fantástico para que nos deixemos levar pelas asas dos nossos pensamentos quando estamos isolados, mas é também um local ideal para passear em família e descobrir em cada visita algo novo.

Julgo que este esquecimento colectivo da população de Palmela do seu bem mais emblemático contribui para algum do estado de abandono em que o nosso Castelo se encontra. Talvez seja uma surpresa para muitos de vós, mas sabiam que a visita ao alto da torre de menagem não é permitida há praticamente três anos? É verdade, a falta de manutenção do nosso património não assegura as condições de segurança para que os visitantes possam ascender ao ponto mais alto de Palmela!

Mas, os sinais de falta de conservação não se ficam por aqui… Em toda a muralha e paredes da fortificação é visível uma abundante flora, como se de um campo cultivado se tratasse. Esta imagem contrasta com a que conheço de outros monumentos europeus em que as pedras são limpas dos musgos que as habitam.

A área frente à muralha exterior e frente à Esplanada continua como sempre a conheci desde há trinta anos a esta parte, toda ela em roço…. Um espaço que acumula resíduos e que não possui as adequadas características para quem deseja parquear o carro para uma visita ao Castelo. Então e o que dizer da “piscina” que funciona como um aterro?

Enquadrado numa área geográfica em que a actividade turística pode ser uma alternativa à actividade industrial de multinacionais temporárias, estranho que as autoridades envolvidas não se preocupem com a valorização do património cultural que pode gerar riqueza através das receitas provenientes do turismo.

Apelo aos populares de Palmela que visitem o castelo e protestem contra a destruição silenciosa do nosso património! Reclamem a reabilitação do Castelo e da sua área envolvente!

RCP

Boas

Fevereiro 6, 2009 por O Rafeiro de Cauda Pelada

Boas!

Peço desculpa pelo ligeiro atraso… sim, qualquer coisa como meio ano para que me apresentasse ao mundo, no sítio dos cães de Palmela!

Os meus “cãofrades” têm tido toda a razão para me denunciarem o atraso e o desleixo, mas muitas outras coisas me têm ocupado… desculpas!

Reforço aqui e agora a ideia do Cão do Balholhas quando diz que a coisa não morreu! Este blog, tal como uma criança, necessita de tempo. Tempo para observar, tempo para aprender, tempo para crescer… Não querendo citar ninguém da cena política, permito-me dizer que nós andamos por aí!….

Até já!

RCP

Eles têm o Obama, nós temos o Zé Maria.

Janeiro 25, 2009 por O cão do Balholhas

Esta semana que passou, além do nascimento do David, deu-nos a tomada de posse de Barack Hussein Obama. Independentemente da opinião sobre o trabalho feito pelo senhor que lá estava antes, esta cerimónia encerra algo de muito profundo. Ouvi muitas pessoas durante a semana a perguntarem “quem havia de imaginar, um negro como presidente dos Estados Unidos?”. A pergunta em si encerra um pouco de ignorância e falta de inteligência; já houve quem imaginasse isso, que nos anos sessenta, antes de ser assassinado, dizendo “I have a dream”. O próprio Obama, se não o imaginasse, não teria feito esta maratona. O máximo que se pode dizer é “quem haveria de pensar que o mundo estaria preparado para isto?”. Yes we can.

Os Estados Unidos são um grande exemplo para coisas boas e coisas más. No entanto, e acima de tudo, acredito que quando precisamos de olhar para cima, à procura de exemplos e inspiração, não precisamos de ver o que se passa lá fora. Os Estados Unidos têm o presidente Obama, Palmela tem o padre Zé Maria. Yes we can.

Nasceu um cachorrinho.

Janeiro 25, 2009 por O cão do Balholhas

puppy

 

Temos um novo cachorrinho connosco. Chama-se David e nasceu na passada quarta-feira às 22:12. Eu estava com o pai quando isto aconteceu, e ainda bem que estava. Não que tenha feito nada de especial mas soube-me bem ter lá estado, a falar de temas comuns, como os recentes amigos enamorados ou os dias pós-parto, enquanto não chegava a enfermeira, com um ar de quem estava na fila da fruta do Jumbo, a perguntar se estava alguém da família. Isto até foi divertido, porque a senhora falou como se a sala estivesse cheia de gente, quando estávamos só nós os dois.

O gaiato é grande e rijo, e a mãe está a recuperar bem da cesariana; nós, os amigos, deixamos estes dias para os pais, avós e família, voltaremos lá a casa quando tudo estiver mais calmo. Palmela continua a rejuvenescer, o que é bom.

Não, a coisa não morreu.

Janeiro 21, 2009 por O cão do Balholhas

Bom ano, Gentes de Palmela.

Bem sei que parece que esta tribuna tem morte cerebral, mas não é bem assim.

Temos tido alguma agitação na vida dos cães que aqui escrevem, uns andam mais e melhor enamorados, outros estão (literalmente) no hospital à espera de serem pais, outros naturalmente não têm desculpa nenhuma.

Mesmo sendo um blogue vagabundo e maltrapilho, é bom ver que estamos presentes na atmosfera palmeloa; com uma invectiva dos Açores, e um pedido de rectificação de link (já por aqui pode aceder ao site dos Loureiros, caro Rogério!), ainda aqui andamos, mais coxos ou menos coxos. Já agora, que me dizem do novo Modelo e sua bela rotunda oval, que mais parece o circuito de Daytona?

E a luz veio.

Outubro 21, 2008 por O cão do Balholhas

Entretanto já encontrei o número da EDP para ligar. Não que fosse ligar, sou preguiçoso para essas coisas. Entretanto voltou a luz. Vinte e sete minutos, não me parece crítico. Mas que dirá essa gente por Palmela fora, com desktops ligados à corrente eléctrica, que têm que puxar os filmes da internet outra vez ou que ficaram com os chats interrompidos?

E a chuva veio.

Outubro 21, 2008 por O cão do Balholhas

Nunca tinha feito isto, de reportar em tempo real acontecimentos. Estou em casa sem luz à quinze minutos. O alarme da casa de um dos meus vizinhos toca sem parar, deve estar configurado para tocar loucamente em caso de sabotagem. Já se sabe, quando vem a chuva e vento, vêm também algumas interrupções de energia eléctrica. Deixa cá ver quanto tempo dura. Estou na página da EDP, muito bonita e com muitos links para os seus produtos. Estou com dificuldade em encontrar um número de telefone para onde ligar. Bonito.